No dia 16 de outubro de 2026, foi promulgada a Emenda Constitucional nº 141/2026, que estabeleceu o fim da escala 6×1, modelo em que o funcionário trabalha durante seis dias e tem direito a um dia de descanso semanal, dentro de uma jornada de até 44 horas.
A partir de 16 de dezembro de 2026, começa a valer a escala 5×2, que prevê cinco dias de trabalho e dois de descanso remunerado, sem redução salarial e com jornada de 42 horas trabalhadas semanalmente.
Com essa alteração na legislação trabalhista, síndicos e administradoras precisam se preparar para os impactos na rotina de profissionais como porteiros, seguranças e equipes de limpeza e manutenção.
Afinal, um condomínio não funciona como uma empresa que encerra suas atividades ao final do expediente. Existem serviços que precisam continuar disponíveis aos moradores durante a semana, nos finais de semana e nos feriados.
Por isso, entender os impactos da escala 5×2 é fundamental para manter a qualidade dos serviços, cumprir as obrigações trabalhistas e evitar despesas inesperadas.
CONFIRA -> Alteração da Constituição Federal com fim da escala 6×1
Da escala 6×1 para a escala 5×2: onde o impacto pode aparecer primeiro nos condomínios?
PORTARIA E CONTROLE DE ACESSO
A portaria é uma das áreas mais sensíveis do condomínio, com funcionamento 24 horas por dia, todos os dias da semana. Se o condomínio tem equipe própria, a implementação da escala 5×2 vai exigir reavaliação de turnos, folgas e horas extras.
Se a portaria é terceirizada, a empresa contratada tende a repassar os custos da reorganização no contrato. Mas, no geral, já existem estimativas de aumento de 20% na folha de pagamento dos condomínios pelos serviços na portaria.
LIMPEZA, ZELADORIA E MANUTENÇÃO
A rotina dos serviços de limpeza poderá passar por ajustes para adequar a distribuição das atividades à nova jornada de trabalho. Para isso, será necessário pensar na reorganização do calendário de manutenções preventivas e rever o que é feito por funcionários e o que é contratado de fornecedores externos.
ORÇAMENTO E TAXA CONDOMINIAL
Na maioria dos condomínios, a folha de pagamento representa uma das despesas mais significativas do orçamento. Inclusive, especialistas do setor acreditam que os custos da folha de pagamento podem representar de 50% a 65% das despesas do condomínio.
Por isso, qualquer mudança de escala vai pesar no caixa e, consequentemente, na taxa condominial. O mercado também prevê reajuste de 10% a 15% na taxa de condomínio com o aumento das despesas.
CLIMA DE TRABALHO E SAÚDE DA EQUIPE
Períodos maiores de descanso podem contribuir para a redução da exaustão dos profissionais, os afastamentos e os erros operacionais, favorecendo a qualidade dos serviços prestados no condomínio.
Esses fatores vão ao encontro das diretrizes atualizadas da NR-1, a norma brasileira de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais que ampliou a visão sobre aspectos que podem causar lesões ou agravos à saúde dos trabalhadores.
SAIBA MAIS -> NR-1 para condomínios: quais são os riscos psicossociais?
PROFISSIONAIS TERCEIRIZADOS
Neste momento, muitos síndicos vão se perguntar se vale mais a pena manter equipe própria ou migrar para uma empresa especializada. A verdade é que não existe uma única resposta, pois essa decisão depende do porte do prédio, da complexidade dos turnos e da capacidade de gestão.
A contratação de uma empresa especializada para realizar serviços essenciais, como limpeza, segurança, portaria, manutenção e gestão de áreas comuns, é um modelo de terceirização que oferece diversos benefícios, como maior eficiência, redução de custos e facilidade na gestão de pessoal.
Vale entender -> Como funciona a terceirização em condomínios?
Quais são os principais impactos do fim da escala 6×1 nos condomínios?
REORGANIZAÇÃO DAS ESCALAS DE TRABALHO
Imagine um condomínio que possui um porteiro responsável pelo atendimento durante seis dias da semana. Com a nova jornada de trabalho, será necessário rever a distribuição dos turnos para manter a cobertura nos períodos em que esse profissional estará de folga. A mesma situação pode acontecer com equipes de limpeza, manutenção e outros serviços.
Portanto, um dos primeiros desafios dos síndicos será a reorganização dos horários de trabalho dos funcionários para que os serviços essenciais continuem funcionando normalmente.
A principal preocupação é encontrar um equilíbrio entre o cumprimento da legislação e a continuidade das atividades, evitando períodos sem cobertura ou sobrecarga de outros colaboradores.
POSSÍVEL AUMENTO DOS CUSTOS CONDOMINIAIS
A redução da jornada semanal sem diminuição salarial pode gerar impactos financeiros, especialmente nos condomínios que dependem de equipes presenciais durante longos períodos.
Dependendo da estrutura operacional, pode ser necessário contratar novos profissionais, redistribuir turnos ou revisar contratos de terceirização. Essas mudanças também podem envolver despesas com salários, benefícios, encargos trabalhistas e eventuais horas extras.
Mas é importante entender que o aumento nos custos não será igual para todos os condomínios e depende da quantidade de funcionários, dos modelos de contratação e da possibilidade de reorganização das atividades.
ADEQUAÇÃO DOS CONTRATOS DE TERCEIRIZAÇÃO
Os condomínios que contratam empresas terceirizadas também precisarão acompanhar as mudanças porque serviços como portaria, limpeza e segurança dependem de profissionais que cumprem jornadas específicas para atender às necessidades do empreendimento.
Com o fim da escala 6×1, as prestadoras de serviços podem ter a necessidade de reorganizar suas equipes e apresentar novas propostas de distribuição de turnos.
Para o síndico, será importante conversar com os fornecedores, avaliar possíveis alterações contratuais e verificar como a empresa pretende manter a continuidade dos serviços.
MUDANÇAS NA ROTINA DOS MORADORES
Embora o fim da escala 6×1 esteja diretamente relacionado aos trabalhadores, seus efeitos também podem ser percebidos pelos moradores.
Dependendo da organização do condomínio, poderão ocorrer alterações nos horários de limpeza, na distribuição dos profissionais de portaria e na programação de serviços de manutenção.
Um condomínio que realiza a limpeza de determinadas áreas comuns todos os sábados, por exemplo, pode precisar reorganizar os horários ou redistribuir as atividades entre os funcionários. O objetivo não deve ser reduzir a qualidade dos serviços, mas adaptar a operação à nova realidade.
Nesse processo, a comunicação com os moradores será importante para esclarecer eventuais mudanças e evitar dúvidas sobre o funcionamento do condomínio.
MAIOR ATENÇÃO À GESTÃO DE PESSOAS
A mudança também representa uma oportunidade para rever a organização do trabalho e as condições oferecidas aos profissionais. Uma rotina com períodos adequados de descanso pode contribuir para o bem-estar dos colaboradores, reduzir a exposição à fadiga e favorecer a qualidade das atividades realizadas.
Entretanto, esses benefícios dependem de uma gestão que evite a sobrecarga das equipes e organize adequadamente a distribuição das responsabilidades.
Para o condomínio, isso significa acompanhar não apenas os horários, mas também as condições de trabalho, a produtividade e a qualidade dos serviços.
Qual é o papel da administradora de condomínios nessa transição?
A transição da escala 6×1 para a 5×2 reforça a importância de uma administração condominial que vá além do controle de pagamentos e despesas.
O síndico precisa de informações financeiras organizadas, acompanhamento das obrigações trabalhistas, análise dos contratos e suporte para avaliar diferentes alternativas operacionais. Algumas medidas podem ajudar nesse processo:
- Faça um levantamento das jornadas atuais
- Avalie os serviços essenciais
- Simule os impactos financeiros
- Converse com as empresas terceirizadas
- Revise o planejamento orçamentário
- Mantenha os moradores informados
Essas medidas permitem que o síndico tome decisões com base em informações concretas, evitando soluções improvisadas. Para auxiliar nesse processo, também é válido contar com uma administradora de condomínios, que pode contribuir para identificar riscos, projetar despesas, organizar informações e apoiar decisões relacionadas à gestão dos funcionários e fornecedores.
Com 53 anos de experiência, a Centrimóveis combina tecnologia e consultoria personalizada para apoiar síndicos na administração de seus condomínios, com foco em eficiência, transparência e qualidade dos serviços.
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Sim. A mudança também se aplica aos profissionais contratados diretamente pelos condomínios, como porteiros, zeladores e auxiliares de limpeza, observadas as regras legais e as particularidades de cada vínculo de trabalho.
O fim da escala 6×1 pode gerar aumento das despesas condominiais, principalmente quando houver necessidade de contratar novos profissionais ou reorganizar turnos. Entretanto, o impacto na taxa condominial dependerá da estrutura operacional e do planejamento financeiro de cada condomínio.
A portaria poderá continuar funcionando 24 horas por dia, mas será necessário adequar as escalas dos profissionais para manter a cobertura de todos os turnos. Dependendo da estrutura do condomínio, isso poderá exigir contratações, redistribuição de horários ou revisão dos contratos de terceirização.
Sim. Empresas terceirizadas de portaria, segurança, limpeza e manutenção também precisarão observar as novas regras trabalhistas aplicáveis. Isso poderá exigir reorganização das equipes e revisão dos contratos de prestação de serviços, com possíveis reflexos nos custos do condomínio.
O primeiro passo é avaliar as escalas atuais, identificar os serviços que precisam de cobertura contínua e simular os possíveis impactos financeiros. Também é importante conversar com as empresas terceirizadas, revisar o orçamento e contar com o suporte de uma administradora de condomínios para planejar a transição.
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