Como a reforma tributária impacta os condomínios residenciais?

12 de dezembro de 2025

A partir de 2026, o Brasil inicia uma transição para um novo e simplificado sistema de tributação sobre o consumo, com a introdução do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). 

Embora os condomínios não sejam tipicamente vistos como empresas com fins lucrativos, essa mudança estrutural na forma como os serviços são tributados trará impactos diretos na gestão condominial e, consequentemente, nos custos repassados aos condôminos.

Síndicos, conselheiros e até mesmo os moradores precisam se preparar desde já para as novas regras, revisando orçamentos, contratos e planejamentos financeiros para um 2026 sem surpresas.

Alterações e o que isso significa na prática

A principal inovação da Reforma Tributária é a substituição de diversos tributos federais, estaduais e municipais que incidem sobre o consumo por um modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA), dividido em duas maneiras.

  • O CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) é de competência Federal e unifica o PIS, COFINS e IPI.
  • Já o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) é de competência Estadual e Municipal e unifica o ICMS e ISS.

A ideia é que esses novos tributos sejam cobrados de forma não cumulativa, permitindo que as empresas tomem crédito do imposto pago nas etapas anteriores da cadeia (insumos). 

Quando a reforma tributária começa a valer?

A transição da reforma tributária não será imediata. Ela se iniciará em 2026 e a extinção completa dos tributos antigos está prevista para 2033, dando tempo para adaptação. 

Mas em 2026, haverá uma fase de teste com alíquotas iniciais reduzidas (0,9% de CBS e 0,1% de IBS).

O impacto na gestão condominial

O maior ponto de atenção para os condomínios é o potencial aumento dos custos de serviços terceirizados, que são serviços essenciais como:

  • Segurança e Portaria;
  • Limpeza e Conservação;
  • Manutenção Predial e de Equipamentos (elevadores, bombas, etc.);

Atualmente, a tributação desses serviços é majoritariamente feita pelo ISS (municipal) e PIS/COFINS (federais). Com a unificação, o valor dos serviços passará a ser tributado pelo IBS e CBS, que juntos devem ter uma alíquota padrão combinada alta (estimativas iniciais apontam para cerca de 28%).

Em resumo: as empresas prestadoras de serviço (segurança, limpeza, etc.) pagarão a nova e possivelmente maior carga de IBS/CBS e a repassarão integralmente no preço cobrado ao condomínio.

Porém, outro ponto de atenção é a possível incidência de tributos sobre receitas que não se originam da cota condominial, como:

  • Aluguéis de áreas comuns;
  • Multas e juros de mora;
  • Rendimentos de aplicações financeiras do fundo de reserva.

A forma como a nova legislação irá tratar essas receitas pode levar à incidência de IBS/CBS, reduzindo a disponibilidade de recursos para manutenção e melhorias.

Guia de ação para síndicos com a reforma tributária 2026

A palavra-chave é Planejamento. Síndicos e administradoras precisam começar a regulamentar processos e a reavaliar a saúde financeira do condomínio.

 1. Revisão e renegociação de contratos de serviços

  • Revisite todos os contratos de prestação de serviços (portaria, limpeza, manutenção) que se estenderão para 2026 e adiante.
  • Acompanhamento contábil: peça à administradora ou ao contador que projete o impacto do IBS/CBS nos custos atuais dos seus fornecedores.
  • Cláusulas de reajuste: verifique se os contratos atuais preveem reajustes em função de mudanças na legislação tributária e prepare-se para negociar.
  • Compare a viabilidade da terceirização versus a contratação de equipe própria, fazendo novos cálculos, pois a relação custo-benefício pode mudar com a reforma.

2. Planejamento Orçamentário e Financeiro

Aumento de custos com serviços essenciais é o cenário mais provável. A previsão orçamentária do condomínio para 2026 e anos seguintes deve incluir uma margem de segurança para absorver esses impactos.

  • Previsibilidade: é fundamental garantir previsibilidade de caixa para evitar o aumento abrupto e inesperado da taxa.
  • Transparência: comunique os condôminos sobre as mudanças e a necessidade de reajustes na taxa condominial, explicando o contexto da reforma tributária.
  • Fundo de Reserva: analise a forma como o fundo de reserva e outras aplicações são geridos, buscando orientação especializada sobre a possível tributação de seus rendimentos.

3. Atenção à Documentação Fiscal (NF-e)

A nova sistemática exige que todos os documentos fiscais sejam emitidos sob o novo padrão eletrônico.

  • Exigência de NF: exija que todos os prestadores de serviço emitam a Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) conforme o novo padrão.
  • Conformidade: contrate serviços apenas de empresas que estão em dia com suas obrigações fiscais e que demonstrem estar se adaptando ao novo regime, minimizando o risco de passivos tributários para o condomínio.

Portanto, a Reforma Tributária de 2026 não incide diretamente sobre a cota condominial, mas impacta significativamente os custos da gestão. 

Síndicos e administradoras que agirem proativamente, revisando contratos e planejando o orçamento com antecedência, estarão melhor posicionados para mitigar aumentos e garantir o equilíbrio financeiro do condomínio.

O momento é de buscar conhecimento e uma administradora que ajude você, e o seu condomínio, a navegar pela fase de transição (2026-2033) com segurança.

Leia também → Tecnologias para condomínios: o que vai transformar a sua gestão em 2026?

COMPARTILHAR

WHATSAPP

SIMILARES

14 de janeiro de 2026 |

Administradora de Condomínios RJ: vai trocar a sua?

Vai trocar de administradora de condomínio no RJ? Conheça a Centrimóveis e tenha menos burocracia, mais eficiência e gestão da inadimplência.

11 de dezembro de 2025 |

Como preparar o condomínio para o verão? Cuidados essenciais na estação mais quente do ano

Prepare o seu condomínio para o verão com temperaturas mais altas e tempestades que podem causar prejuízos se os cuidados necessários não forem tomados.

Fale com a
Centrimóveis